domingo, 28 de setembro de 2014

A partida, os aviões, a chegada

Talvez a moça de casaco azul sentada ao lado tenha comentado com algum conhecido, ao chegar em São Paulo, que havia uma menina que chorou durante o voo inteiro. Isso renderia algumas especulações e motivo para uma conversa casual. Ao redor, de fato, eu era a única extremamente triste. As outras pessoas pareciam bem em estar naquele avião. A questão não era que eu estivesse me sentindo ruim em estar viajando. Essa viagem, como disse no relato anterior, é a realização de um sonho.  O que me fez chorar durante todo o voo foi a dor de deixar para trás meu pai com olhos vermelhos de lágrimas, minha mãe em prantos, meu amor - sempre tão tranquilo, mas com um abraço apertado a denunciar a dor da saudade antecipada - e um amigo muito querido. Essa dor é extremamente... Dolorosa! E vocês vão me perdoar essa redundância.

Durante todo o mês de agosto e as três semanas de setembro em que eu estive esperando pelo visto espanhol chegar do Consulado de Salvador, eu estava mergulhada em mar de providências a serem tomadas, problemas e detalhes a serem resolvidos, e também uma dúvida se a viagem iria dar certo mesmo. Tudo isso ocupava minha mente... E foi somente quando o visto chegou (depois de ter remarcado três vezes o voo) que começou a cair a ficha. Todo beijo do meu Cândido parecia único. Toda conversa corriqueira com minha mãe parecia essencial. Todo abraço e bênção do meu pai pareciam fundamentais. Toda conversa e sorriso com meus amigos, também. E lembrar dessas coisas simples agora me faz querer chorar de novo. Desculpe se estou sendo excessivamente triste nesse relato, mas me propus a descrever aqui as experiências e impressões que forem surgindo nesse período. Infelizmente, essa proposta inclui esses sentimentos. 


papai e mamãe - olhos inchados de choro.


Cândido, meu Abor.

Bem, a partir do dia 20 de setembro estarei convivendo com a saudade. Isso é só mais um reflexo do fato de a vida nunca ser perfeita.

Sobre o voo Teresina a São Paulo: foi tranquilo. Nenhuma turbulência.  Um copo de água servido. Em Guarulhos, tive o prazer de ficar na casa de uma família linda. Rita Sales, prima de uma tia minha, aceitou me acolher na casa dela desde as 8 horas da manhã até as 21 horas, horário que retornamos ao aeroporto para eu pegar o voo para Madrid. E toda a família foi muito amorosa comigo e eu realmente me senti em casa, como se os conhecesse antes.



Sobre o vôo São Paulo a Madrid: foi muito bom. Fiquei na janela. Assisti Guarulhos iluminada de cima. Assisti Malévola dublada em espanhol. Jantei frango com legumes às uma hora da madrugada e tomei café às nove do dia 21. Iberia é uma companhia aérea muito boa (ainda que eu não conheça tantas companhias, mas ao desembarcar muitas pessoas comentavam da qualidade das refeições e do conforto).





No aeroporto de Madrid passei 4 horas esperando o vôo para Granada. Minha diversão foi gratuita: observar as pessoas. Agora eu passei a ser estrangeira. E é engraçado notar que todo mundo está se observando.


o degradê de azul à amarelo no aeroporto de Madrid

De Madrid para Granada: houve atraso. O avião era bem pequeno. O aeroporto de Granada também é bem pequeno, menor que o de Teresina. Cheguei lá e acabei perdendo o ônibus do aeroporto para Granada, tudo porque não perguntei para ninguém onde estava a parada de ônibus. Depois de descobri, tinha um ônibus marcado para sair só 22 horas. Então, esperei. Melhor pagar 3 euros de ônibus do que 30 euros de táxi.


as pessoas esperando os passageiros do avião que acabava de chegar, 
olhando pelos buraquinhos do portão, no aeroporto de Granada.


Por fim, cheguei à Granada. A cidade me pareceu linda desde o começo. Fui recebida pelo meu mentor Adrián Plasencia, que me ajudou com minhas duas pesadas malas até o apartamento onde eu vou viver. Mas, por enquanto, não vou postar nada de Granada. Esses detalhes vou reservar para o próximo relato. Estou publicando esse relato de um restaurante – o 100 Montaditos – usando o WiFi, depois de apreciar uma salada muito boa com meus amigos brasileiros. E tem muito mais a ser aqui registrado... Mas por hora, fiquem com esses detalhes.


Hasta luego!